
Santa Cruz
| Os Impérios são construções de um só compartimento de planta
aproximadamente quadrangular, elevadas sobre fundações que as colocam num
plano superior ao das outras construções do aglomerado, abrindo-se na
fachada através de porta e janela que as ladeiam, por vezes com peitoris de
ferro fundido e frontal triangular encimado por um dos símbolos do Espírito
Santo - a pomba ou a coroa - pintado, assim como as barras, estas de cores
fortes. Têm acesso por escada exterior, nalguns casos de madeira e
removível, e o tecto é de duas águas. O interior é ocupado por uma ou mais
mesas, alguns bancos ou cadeiras, nichos e altar na parede do fundo.
Encontram-se por toda a Ilha, no interior do círculo que delimita o centro
do aglomerado populacional e que inclui a igreja paroquial; frequentemente
no espaço fronteiro a esta. Encerrados durante quase todo o ano, abrem-se principalmente aos domingos de Pentecostes e da Trindade para receber o imperador e a vereança. Este e os seguintes são alguns dos momentos altos das Festas do Espírito Santo: após a coroação na igreja e a bênção do pão e do vinho na dispensa (divisão anexa ou construção próxima em que se guardam), o cortejo dirige-se para o império, onde depõe as insígnias que transporta (coroas, bandeiras e varas); e, na praça, tem lugar o bodo: a dsitribuição do pão e do vinho. E, depois deste, a função (jantar) em casa do imperador: de sopas, cozido e alcatra. Durante a tarde e novamente no império, o imperador deve convidar a entrar e a servir-se da carne assada, massa sovada e vinho, aqueles que param ou passam no terreiro e estes devem deixar algum dinheiro. Até ao anoitecer, o império permanece de porta aberta e num constante vaivém de gente. Sob o aprente caos da festa, estreita-se e refazem-se relações segundo regras mais ou menos definidas, em que a dádiva alimentar e a contra-dávida são o meio e o imperador a figura central. Com algumas variações, este cerimonial ocorre ciclicamente em toda a Ilha, reforçando deste modo, em associação ao sagrado, posições sociais, sentidos e sentimentos de comunidade.
Helena Ormonde - Antropóloga
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